O barulho que atravessa a janela
O barulho que atravessa a janela
Vem lá de fora se unir a mim
O motor do carro e o latido da cadela
Parecem jamais terem um fim
São quatro horas dessa madrugada
Mas a Lua é quem te dá bom dia
O Sol já vem como quem não quer nada
Devora o sonho e o desfia
A cortina de poeira vermelha
Abençoa a mãe natureza
O humano só em si se espelha
Canta aos céus sua certeza
O barulho que atravessa a janela
Na noite do dia seguinte
Me faz de mim um bom ouvinte...
"E quantos ruídos atormentam vossa calma?
E quantos rótulos descrevem minha alma?"
Sou dono do meu silêncio, rei da minha pele,
responsável por permitir que o som me atropele.
O barulho que atravessa a janela
diz mais de mim do que dela.