Brindar


Ano novo. Primeiro dia do ano. Último dia do ano.
Um segundo de diferença não muda minha descrença.
Quanto à vida, o pessimismo.
Quanto aos humanos, cinismo.

Pouco comemoro,
Não rio tanto tampouco choro.
Se não quer, não imploro.
Se quer, devoro.

Minha única prece
Faço sempre
Ao deus que não creio:

Levantar inteiro
Meio dia e meio.

Mas, não sendo suficiente
Digo algo ao humanos:

Percebe, minha gente,
Que só passam-se anos
E tudo sempre mesma merda?

(Pra eles, pois minha vida está boa)

Esqueçam, estava brincando.
Continuem rindo e, comemorando.

Brindem o ano novo, e amanhã a cara fechada
Um com o outro, pois vocês sabem que se odeiam,
Sabem também que não suportam estar no mesmo ambiente.
Mas todo ano, mesma merda, “vamos respeitar o tal parente”.

Vê se mereço.
Sei
Que eles se merecem.

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