Teu café amargo
Querer esquecer, é esforço de se lembrar.
Ainda hoje as horas se perdem buscando teu sorriso,
aquela rima perfeita, que jamais existiu em nós.
E as palavras dizem do amor, e ficam ainda nisso,
como se não esquecessem teu silêncio e tua voz.
Tolo que sou, esmago
a brutalidade do meu sentimento
com outra xícara de café amargo.
As poesias todas, ao vento.
Não vejo lágrimas, mas meus lábios não gargalham
as mesmas gargalhadas daquele ontem que no ontem ficou.
As dúvidas, conflitos que se duplicam e se espalham,
procurando dissolver o que de mim era tu, e o que de mim, sou.
Esquecer.
Verbo seco, que chove no molhado.
Meu erro foi fazer o certo, do jeito errado.
Querer esquecer, é desejo.
Que me remete ao sabor do teu beijo.
Esquecer-te
apagar o escrito
nunca mais, ler-te.